DO DIÁRIO — O aguardado julgamento do empresário Eurípedes Augusto de Mello, o Euripinho, e de Elton Regis Albertino, o Nuguete, não ocorreu nesta quinta-feira (28), no Fórum da Comarca de Olímpia. A sessão do Tribunal do Júri foi cancelada e remarcada para o dia 18 de fevereiro de 2027 após a Justiça constatar a falta do número mínimo de jurados exigido para a realização do julgamento. Começou às 9h e uma hora depois já tinha sido encerrado.
O caso é um dos mais conhecidos e comentados da história recente de Olímpia e representa a última etapa do processo originado pelo tiroteio ocorrido em julho de 2017 na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves.

Segundo informações repassadas ao Diário de Olímpia pelo advogado Marco Antônio Santos, em nome da equipe de defesa, inicialmente havia número suficiente para a instalação da sessão plenária.
“No entanto, durante o procedimento de escolha dos sete integrantes do Conselho de Sentença, um dos jurados apresentou impedimento legal para atuar no julgamento”, disse o advogado. “Com a retirada desse jurado, o número total caiu para 14 participantes aptos, abaixo do mínimo de 15 exigido pelo Código de Processo Penal para a realização do júri”.
Diante da situação, o juiz Matheus Lucato de Campos determinou o encerramento da sessão e redesignou o julgamento para o próximo ano.
Entenda por que o júri não aconteceu
Os jurados são convocados pela Justiça e têm obrigação legal de comparecer. A legislação prevê, inclusive, a aplicação de multa para ausências injustificadas.
Na prática, porém, parte dos convocados apresenta atestados médicos, pedidos de dispensa ou justificativas aceitas pela Justiça antes da sessão.
Quando o número mínimo exigido não é atingido, o julgamento não pode ser realizado. Foi exatamente o que ocorreu nesta quinta-feira.
Embora a sessão tenha sido instalada, a exclusão de um jurado por impedimento legal inviabilizou a formação do Conselho de Sentença.

Defesa mantém tese de negativa de autoria
A equipe de defesa afirma que sustentará, no julgamento marcado para fevereiro de 2027, a tese de negativa de autoria para ambos os acusados.
Segundo Marcos Santos, “Euripinho não teve qualquer participação nos crimes investigados”. A defesa sustenta que o empresário foi, na verdade, “uma das vítimas do episódio”.
“Euripinho foi alvejado dentro da própria residência, dentro do quarto onde estava. Um disparo atravessou a porta e atingiu seu braço, causando grave hemorragia e a perda de parte da estrutura óssea”, afirmou Marco Antônio Santos.
Os advogados também destacam que o empresário sofreu prejuízos físicos, emocionais e financeiros desde o ocorrido.

Defesa diz que Nuguete não participou da troca de tiros
A mesma linha será adotada em relação a Elton Regis Albertino, o Nuguete. Segundo a defesa, ele não estava armado e não participou dos disparos.
Os advogados sustentam que “Nuguete apenas conduziu funcionários até a residência de Euripinho para receber pagamentos que seriam realizados naquele dia”.
A defesa afirma ainda que ele não participou das discussões nem da troca de tiros e que, após o ocorrido, colaborou na busca por ajuda e acionamento das autoridades.

Absolvições anteriores serão destacadas
Os defensores também pretendem destacar, no futuro julgamento, as absolvições obtidas nos júris anteriores.
Na semana passada, Emerson Aliseu Pereira, o Nim Peão, e Laércio Marques foram absolvidos pelo Conselho de Sentença.
Segundo a defesa, “ambos estavam diretamente envolvidos nos acontecimentos daquele dia e, mesmo assim, os jurados reconheceram teses favoráveis apresentadas pelos advogados”.
“A expectativa da banca é que o mesmo entendimento seja aplicado em relação a Euripinho e Nuguete”, revela o advogado ao Diário.

Caso completa quase dez anos
O episódio ocorreu em 11 de julho de 2017, quando uma cobrança de dívida terminou em uma troca de tiros que resultou na morte de Leandro Ribas da Silva e deixou outros envolvidos feridos.
Desde então, o caso gerou grande repercussão em Olímpia e na região, tornando-se um dos processos criminais mais acompanhados da história recente da comarca.
Com o adiamento desta quinta-feira, o desfecho judicial do caso ficará para fevereiro de 2027, quando Euripinho e Nuguete voltarão ao banco dos réus perante o Tribunal do Júri.











































