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‘Se eu parar de tomar remédios, me mato’, diz PM doente por causa do trabalho

Publicado em 22 de novembro de 2011 às 22h47
Atualizado em 22 de novembro de 2011 às 22h53

“Minha médica falou que se eu parar de tomar os remédios, me mato”. Desabafo é do cabo reformado da Polícia Militar, olimpiense Marden Ubirajara Barbosa, um dos diversos agentes da segurança pública que sofrem com problemas de saúde mental ocasionados pela profissão.

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Ele nasceu em Olímpia, na antiga Beneficência Portuguesa, no dia 14/01/1976. è filho de Ubirajara Barbosa e Albina Maria Caputo Barbosa. Foi para o Mato Grosso do Sul em 1997 mais exatamente em Ponta Porã, onde ingressou na Policia Militar em 01/08/1998. O seu avô, Alarico Barbosa, trabalhou na antiga Ford da Avenida Aurora Forti Neves como mecânico.

Ubirajara-BarbosaCom 35 anos, Marden vive em uma casa simples no bairro Canguru, região sul de Campo Grande, e foi aposentado por invalidez em março deste ano. Além da doença mental grave, o policial sofre de transtorno bipolar.

Na receita médica do ex-policial, constam remédios antipsicóticos, antidepressivos, para controle da pressão e estabilizadores de humor. Segundo ele, a medicação chega a consumir mais de um terço da remuneração líquida, que é de R$ 700.

“São remédios caros. No fim do mês, eu e minha esposa pegamos amostras grátis em consultórios. Quando fico três dias sem tomar os remédios, não durmo, fico ansioso e assustado com tudo.”

Trajetória – Marden Barbosa ingressou na PM em agosto de 1998 e atuou primeiramente na região da fronteira com o Paraguai. Diversas situações começaram a mexer com a cabeça dele. Uma delas foi uma troca de tiros com traficantes.

“Eu escutei as balas cortando o mato. Depois daquilo, você senta na viatura e pensa: e se a bala pegasse em mim? Com o tempo, você aprende a conviver com a morte, com a violência. Muitos policiais mudam a cabeça, começam a achar que a violência é uma coisa normal”, relatou o policial aposentado ao Campo Grande News.

Barbosa foi transferido para Campo Grande em 2003. Em 2006, ficou dez dias preso sob suspeita de integrar uma facção criminosa. Daí em diante, os problemas do então cabo da PM se agravaram.

“Essa época foi difícil, não conseguia dormir, comecei a ter insônia, o pensamento de suicídio não saía da minha cabeça. Apesar de ter sido acusado de integrar facção criminosa, me colocaram para trabalhar no presídio. Aquilo mexeu comigo”, desabafou.

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Marden passou por 17 inspeções de saúde na PM. Na última avaliação, ele foi declarado incapaz definitivamente para o serviço de policial militar, mas que poderia prover meios de subsistência e que a incapacidade não foi provocada pelo serviço.

“Que empresa me contrataria com esses problemas que tenho. Como posso trabalhar se minha médica falou que eu sou um risco, que não posso trabalhar mais na minha vida, que eu posso surtar a qualquer momento”, indagou o cabo reformado, que está pedindo correção do diagnóstico na Justiça.

Recluso em casa, o policial aposentado busca refúgio para os problemas na companhia da esposa e dos 11 cães de estimação. “Depois da doença, fiquei sentimental, choro fácil.”

Barbosa destacou ainda que vários colegas de profissão sofrem problemas. “Tem muito policial trabalhando no vermelho. Policial não tem amigos. A droga e a bebida, coisas que os policiais deveriam combater, são válvulas de escape. A sociedade deveria se preocupar mais com os nossos policiais”.

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Reclamação constante – O vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar do estado (ACSPMBM/MS), Cláudio Souza, explicou em entrevista ao Campo Grande News que não há estatísticas que mostram a quantidade de agentes afastados por causa de problemas de saúde mental.

“O que nós sabemos é que, na nossa rotina, é constante a reclamação de falta de acompanhamento e auxílio no tratamento.”

Segundo Souza, muitas vezes, o agente sofre ‘bullying institucional’. “O camarada que tem problema metal às vezes é tratado como enrolão, aí ele não procura tratamento e isso acaba aumentando o estresse desse servidor.”

Além das adversidades da profissão, o vice-presidente da associação destaca três fatores que contribuem para o agravamento dos problemas de saúde mental dos agentes.

“Baixa remuneração, carga horária de trabalho indefinida, ou seja, o agente trabalha o quanto necessário para cumprir escalas, e a falta de ascensão funcional, de promoções”, detalhou Souza.

Audiência pública – A saúde mental dos profissionais da segurança pública foi assunto de audiência pública, na segunda-feira (21), na Assembleia Legislativa.

Durante palestra, o tenente do Corpo de Bombeiros, Edílson dos Reis, disse que a questão não deve preocupar somente os servidores da segurança, mas toda a sociedade. “Não se trata de um problema que afeta apenas os policiais. É uma situação que afeta muitas profissões”, ressaltou.

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O proponente da audiência, deputado estadual George Takimoto (PSL), afirmou que as contribuições feitas no decorrer do debate serão reunidas e analisadas. Provavelmente, segundo o parlamentar, as sugestões servirão para construir um projeto voltado para a promoção da saúde mental dos profissionais de segurança pública. (Campo Grande News, reproduzida com autorização de Cabo Marden)

CONSELHOS DE MARDEN PARA UMA ABORDAGEM POLICIAL ‘FELIZ’

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1. A Policia não sai por aí encostando playboy na parede por que gosta. Mas por que o serviço tem de ser feito. Então, quanto mais você enrolar, mais tempo vai demorar a abordagem.

2. Pra quem não quer levar os tradicionais chutinhos no tornozelo à receita é simples: basta abrir as pernas num ângulo mínimo de setenta graus.

3. Quando for parado por uma equipe, não venha tirar documentos do bolso antes que o policial determine, pois um movimento precipitado e você pode tomar um tiro nessa sua carinha de criado com a vovó. É muito simples. Primeiro verificamos se você não está portando armas ou drogas, depois verificamos quem você é e o seu veículo.

4. A merda do seu carro “tunado”, apesar da papagaiada toda, não é único ou exclusivo. Existem muitos iguais a essa porcaria. E esses muitos outros são conduzidos por criminosos. Então quando for parado, não quer dizer que o policial está te perseguindo, ou está com inveja dessa merda. Ele te parou por que você pode ser um bandido, ou seu veículo é igual ao que foi usado num crime qualquer.

5. Para as mulheres: quando a porra do teu namorado for pra parede, não atrapalhe. Fique no local onde foi determinado e espere o fim da abordagem, de preferência em silêncio.

6. Maconha ainda é droga ilícita, e usá-la ainda não está permitido. Então não reclame!

7. Em vários locais já ocorreram crimes chamados sequestro relâmpago, por isso quando tu tá no carro com a porra da tua namorada e mais quatro boiolas juntos, nós abordamos por imaginar se tratar de um desses crimes.

8. Deixe essa sua carteirinha de OAB guardada, se eu quiser saber tua profissão eu vou perguntar e você apenas vai me responder, advogado não é autoridade, é um profissional liberal, como um dentista ou pedreiro e grande parte dos Policiais hoje também são bacharéis iguais a você, e por sinal os cursos de formação da PM chegam até botar muita faculdade de direito de fundo de quintal no bolso.

9. O famoso “mão pra cabeça” é uma ordem legal que tem auto-executoriedade, ou seja, nós podemos parar quem quer que seja segundo nosso poder discricionário e realizar uma busca pessoal, sem necessitar de mandado específico, o que você já deveria saber, sendo que se diz formado em direito.

10. Carro não é extensão de domicílio, exceto se você morar nele, portanto TAMBÉM não precisa de mandado e será primeiro revirado e depois fiscalizado e quem sabe autuado e apreendido.

11. Mantenha-se calado durante a abordagem! A sua opinião não interessa a ninguém!

12. Também não interessa saber quem é seu pai, sua mãe, outro parente ou quem quer que seja que você conheça.

13. Não temos inveja de sua condição social ou da porcaria do seu carro; apenas estamos trabalhando em prol da sua segurança. Então lembre-se sempre de ao término da abordagem, dizer: MUITO OBRIGADO, SENHOR POLICIAL.

(Extraído do perfil de seu Facebook)

***


* Fique à vontade para dar a sua opinião, mas atenção: se ele não aparecer no mesmo dia é porque, com certeza, você não leu a nossa política de comentários. No momento, está sob moderação.

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26 comentários

  1. Marden disse:

    Obrigado pela força Leo, Deus te abençoe.

  2. vadao disse:

    nao ha duvidas que o dia dia de militar deixou ele assim !!!!!!!!

  3. Heitor Monteiro Barbosa disse:

    Marden é meu primo em primeiro grau, e as histórias que meu tio “Bira” e meu pai me contavam sobre as atividades dele como policial eram de assustar.
    Não imagino como se sente, mas pode ter certeza que sua família jamais te abandonará.
    Um grade abraço de seu primo Heitor.

  4. maijara v. barbosa disse:

    marden é meu irmão ….tenho muito orgulho em dizer isto e ele realmente mudou muito depois que entrou para policia militar, agora doente….espero marden que vc volte para perto de nos, sua família que te ama muito, amo muito vc viu força e que DEUS te abençoe….bjs

  5. Fabiana Garcia disse:

    Olá, sou irmã do Marden…. agradeço a todos as palavras de apoio ao meu irmão. Muito obrigada.
    Marden nunca se esqueça vc tem familia e uma familia que te ama….. maior do que qualquer dor É O AMOR. tenha fé em DEUS pois tudo vai dar certo!!! TE AMAMOS….MUITOOOO bjosss no seu coração……

  6. leO disse:

    Você está do jeito que está por pensar do jeito que pensa! Não foi seu trabalho!

  7. leO disse:

    Sr. Cabo Marden, já ouviu falar em algo chamado Constituição Brasileira? Em liberdade de expressão? É só minha opinião! Não sou médico nem quero ser, muito menos psiquiatra, de maluco já basta o mundo atual, é só saber administrar que tudo dá certo!
    Melhoras, e menos ignorância, tente ser mais flexível em algumas situações valew!!

    • Cabo Marden disse:

      Sim leO tanto ja ouvi falar na famigerada Constituição que estou exercendo meu direito de resposta, quem fala oque quer ouve oque não quer, por defender a constituição vc deveria ser menos preconceituoso, e parar de se esconder, porque não se identifica?

    • Cabo Marden disse:

      e quem é vc pra emitir juízo de valor???, como eu disse anteriormente, tres médicos formados cuidam do meu caso, e atestaram como doença adquirida no trabalho, quem é vc pra dizer, que não foi meu trabalho???
      #ACALESSABOCA

  8. Letícia disse:

    Não interessa em qual profissão seja, respeito e educação é minimo que se deve ter, é dificil acreditar em que alguém que citas pessoas com tanto preconceito, como boiolas , porra da sua namorada,nessa sua carinha de criado com a vovó,porra do teu namorado, se preocupe com a segurança de um ser humano.

    • Cabo Marden disse:

      Cada um tem a abordagem e a Policia que merece, meu respeito e educação é nivelado conforme o nível do interlocutor, mas diz ai voce ja deve ter levado uma dessas né, conte-nos sua experiência.

  9. leO disse:

    Primeiro de tudo que uma pessoa que se valoriza e que tem princípios não distrói a saúde por um emprego(eu “sairia fóra muito antes”), ainda mais como policial que não é um emprego “tranquilo” como muitos outros.
    Segundo, a saúde no Brasil está um verdadeiro caos, entra-se em um hospital públuco para uma cirurgia simples e acaba sem um membro, ou com uma doença grave e é diagnosticado com cólica intestinal e morre em casa, isso é feito por estes “médicos formados” que você diz!
    Atualmente não se pode levar muito em consideração um pedaço de papel (diploma).
    Passar bem!

    • Cabo Marden disse:

      Como voce me disse que se eu estava ficando doente com a policia deveria ter saido, então faça isso se voce esta descontente com o Brasil porque não vai embora, va morar no Iraque, ou na Líbia que tal? la deve ser melhor pra voce.

  10. Rafael disse:

    Educaçao em primeiro de tudo pra esse policial ‘–
    Concordo com a Letícia.

  11. Letícia disse:

    Bom senhor Marden , posso afirmar com muita certeza que não tive nenhuma experiência TÃO RIDÍCULA E DESAGRADÁVEL como essa, mais o que eu mais tenho são policiais militares em minha família e posso afirmar que nenhum está doente hoje e nem pensa tão grosseiramente como você.
    agora eu não entendo porque você responde com tanta grosseria e falta de educação aos comentários , alguém que da reportagem para um blog tem que estar preparado para opiniões diversas, seja mais flexível.

    • Cabo Marden disse:

      Prefiro ser grosseiro do que falso moralista, na verdade nós Policiais fazemos o trabalho que voces simples mortais não tem coragem nem disposição pra fazer, preferem ficar no anonimato se escondendo atras da internet para criticar e falar mal, e isso serve pra vc tbm viu leO, vc é outro falso moralista.

    • Cabo Marden disse:

      Só tem esses 3, ta muito repetitivo isso, próximoooooooooooooooooo.

  12. leO disse:

    Acredito que eu não me adaptaria lá “meu amigo” mas acho que seria perfeito para você colocar em prática sua abordagem policial, pois um coletivo de pessoas como você faz o Brasil ser oque é! Mas cuidado com mina terrestre blz. Estou descontente, não doente, e acho que esse país tem jeito de ficar melhor, aliás começou com você, na minha opinião tem que mudar muitos conceitos na policia e na política, mais educação e saúde, aí fica perfeito.
    Letícia, Rafael, segue aí um mal exemplo fóra da segurança pública brasileira. Um a menos!
    Perde seu dia todo aqui brigando conosco, é mais saudável para sua situação psicológica, e mais seguro para população, já percebi até uma breve melhora, ass. Dr. leO uhaiuhiahhaiuhahia

  13. Letícia disse:

    Não estou criticando só acho que ninguém merece ser tratado com preconceito e falta de Educação,se for para ser um policial militar que nem você, prefiro ser uma desempregada. OK não vou mais perder tempo com você , se não isso nunca vai acabar. passar bem.

  14. leO disse:

    Pra quem tem fibra e coragem, esqueceu da força bruta, e que não é necessário inteligência, nem caráter nem educação.

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