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Saúde revela causas da diarreia de janeiro: nada anormal na água, alimentos ou fezes

Publicado em 01 de abril de 2010 às 17h15
Atualizado em 02 de abril de 2010 às 11h30

* Não foi um surto local, mas sim estadual e nacional com o Norovirus. A faixa etária dos casos de maior incidência foi em maiores de 15 anos de idade

lavando_maos A Secretaria da Saúde de Olímpia divulgou nesta quinta (1) as conclusões de exames realizados no Instituto Adolpho Lutz, de Ribeirão Preto (SP), em amostras de alimentos, água e fezes, coletadas durante o surto da ‘diarreia de verão’, ocorrida em janeiro. Não houve nada de anormal em nenhuma amostra, concluindo-se que houve o surto na cidade devido o elevado número de turistas e à falta de higiene pessoal.

“Os casos notificados não foram graves, as internações hospitalares que ocorreram foram em sua maioria para hidratação e observação. Quanto à distribuição geográfica os casos ocorrem por todo município”, diz o laudo da Saúde olimpiense.

O RELATÓRIO

A íntegra do relatório da Saúde quanto ao surto de diarreia ocorrido em Olímpia é a seguinte:

O surto teve inicio no dia 1° de janeiro com uma notificação de 43 casos de doenças diarréicas em um dia, apresentando um aumento de 200% em relação à mesma semana epidemiológica de 2009.

Assim que foi constatado o surto iniciamos a investigação para detectar o microorganismo causador da doença, meios de transmissão, o comportamento do agente causal e a população atingida. Com as ações de:

1) Envio de 44 amostras de alimentos ao IAL de Ribeirão Preto, servidos nos dias 30 e 31 de dezembro de 2009 no restaurante do hotel onde houve denúncia do inicio do surto.

A unidade analítica (microbiologia alimentar) tinha por objetivo a pesquisa de bactérias nas amostras de alimentos coletados. Resultados obtidos: 40 amostras de alimentos – as semeaduras realizadas não revelaram o desenvolvimento de microorganismos patogênicos e nem de indicadores da presença dos mesmos; 4 amostras de alimentos – as semeaduras não revelaram o desenvolvimento de microorganismos patogênicos, mas de indicadores da presença dos mesmos. O que indica que pode haver indício de problemas na manipulação dos alimentos.

2) Envio de amostras de fezes ao IAL de Ribeirão Preto e São Paulo sendo 10 casos de doentes e 10 de caso controle (caso sem sintomas que convive com o caso suspeito), dessas amostras 06 de doentes deram positivas para Norovírus e 01 caso controle também apresentou positivo para Norovírus.

3) Coletadas amostras de água da rede de abastecimento do município e encaminhadas ao IAL de Ribeirão Preto , o que se apresentaram satisfatórias para consumo humano.

4) Realizadas inspeções sanitárias em estabelecimentos do Clube Termas, hotéis e pousadas para orientações quanto a adequações de estrutura física e manipulação de alimentos.

5) A mesmo tempo em que realizamos a divulgação das medidas de controle na imprensa escrita e falada.E nos clubes, hotéis, pousadas, comércio através de panfletos e faixas.

6)  A CETESB em apoio a investigação do surto realizou coleta de água para análise microbiológica e química nos locais: Rio de Corredeira – localizado no  Clube Thermas dos Laranjais; Saída da Torneira do Reservatório Elevado sito na Avenida Harry Giannecchini  (água proveniente do rio olhos d’água); Saída da Torneira do Reservatório do Bairro São José sito na Rua Elizário Albergaria Jr.

De acordo com a avaliação da CETESB, nos resultados das análises microbiológicas recebidos no dia 16/03/2010, não foram detectados microorganismos patogênicos, e nem indicadores bacterianos e virais de contaminação fecal em nenhuma das amostras analisadas.

Na análise dos casos constatamos que havia inicialmente casos entre visitantes e moradores e posteriormente apenas em moradores como mostra o Gráfico1.

CBAE5A389CC7446F86A7B277123458EA@Gazeta01 O gráfico 1 é uma análise do comportamento das diarréias do dia 01 de janeiro até o dia 18 de março de 2010, onde observamos uma diminuição gradativa dos casos notificados, retornando a valores aceitáveis de acordo com o registrado no município na semana epidemiológica 09 que compreende o período de 26/fev. a 4/março de 2010. Comportamento este observado quando de surto por Norovírus em outros países que tem duração de até mais de 02 meses.

5272CA715BAE4F17BE56C7D56C0CA314@Gazeta01

CONCLUSÕES

“O surto de doenças diarreicas ocorrido no município no mês de janeiro de 2010 foi provavelmente causado por vírus comum de ocorrência mundial Norovírus, segundo análises de amostras de pacientes, realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz, vírus este, que já causou no ano passado e neste ano problemas em algumas cidades paulistas, inclusive litorâneas.

“Os Norovírus são encontrados nos excrementos (fezes) ou vômito de pessoas infectadas. Podem passar para os alimentos, água ou superfícies pelo contato das mãos das pessoas infectadas que não as tiver lavado corretamente depois de usar o banheiro, sendo que a cloração da água não é suficiente para eliminá-lo.

“Trata-se de doença auto-limitada (de cura geralmente espontânea), moderada e caracterizada por náusea, vômito, diarreia e dor abdominal, com ocorrência esporádica de dor de cabeça e febre baixa. A dose infectante é desconhecida, mas presume-se ser baixa, sendo doença moderada e breve. Normalmente se desenvolve 24-48 horas após contato com o vírus, com duração de 24-60 horas e na maioria dos casos não há necessidade de hospitalização, registros de complicações são muitos raros.

“Analisando as possíveis formas de transmissão do Norovírus e os resultados laboratoriais obtidos, concluímos que o meio de transmissão provável foi pelo contato pessoa a pessoa”, conclui o relatório.

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4 comentários

  1. Luiz Augusto da Silva disse:

    Muitos navegaram por um mar tenebroso, com ondas agitadas com opiniões precipitadas.

    Agora, chega o momento: O barco mais seguro que nos leva à terra firme é o barquinho do tempo.

    O marujo inteligente não é precipitado.
    Aguarda a hora certa, com o veleiro ancorado.

    É isso…

    Abraços “poéticos”

    Luiz Augusto da Silva

  2. NELSON POLISELLO disse:

    Concon,
    Foi muito bom que o povo saiba que não foi um surto local e sim regional, estadual e nacional.

    Parabéns!

    NELSON POLISELLO

    • Bom, nunca é, Nelson. Seja local, regional ou nacional, é preciso tomar certos cuidados de higiene, ainda mais em conglomerações humanas, a exemplo do que foi, infelizmente, o final e começo de ano em Olímpia e em muitos lugares do País.

      Abs e boa semana.

      Leonardo

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