Jornal de Rio Preto mostra que a crise não atinge só a Santa Casa local, mas da região
A Santa Casa de Misericórdia de Olímpia está até em situação melhor do que outras Santas Casas da região, e até de São Paulo, capital, que está para fechar o seu Pronto-Socorro. É o que mostra o Diário da Região, de Rio Preto, o terceiro maior jornal do interior paulista, em reportagem publicada hoje através dos repórteres Allan de Abreu e Raul Marques.
“Hospitais filantrópicos de sete das dez maiores cidades da região acumulam dívidas de R$ 32,6 milhões com bancos, fornecedores e médicos, além da Receita Federal. Sem dinheiro, muitas das instituições são obrigadas a reduzir a oferta de medicamentos, cortar a compra de novos equipamentos e até deixar de oferecer especialidades médicas. É o caso da Santa Casa de José Bonifácio”, conta o jornal. Dos oito hospitais que mais devem, Olímpia está em 5° lugar. Clique ao lado para ler toda a reportagem e se informar melhor.
Como o hospital de José Bonifácio não tem verba para reformar o prédio, os funcionários e pacientes convivem com goteiras pelos corredores. Também faltam cardiologistas e neurologistas disponíveis 24h no pronto-socorro. A entidade tem dívida acumulada de R$ 660 mil com fornecedores e decorrente de tributos.
“Quando um fornecedor de medicamento para de nos remeter produtos com pagamento a prazo, atrasamos o repasse para outra empresa a fim de poder pagá-lo à vista. É um malabarismo financeiro constante”, diz o administrador, Newton César Mathias. A maior dívida acumulada é da Santa Casa de Votuporanga – R$ 10 milhões, dos quais R$ 7 milhões decorrentes de empréstimos bancários e o restante em impostos.
O déficit mensal é de R$ 350 mil: para cada R$ 100 gastos no atendimento, o hospital recebe apenas R$ 85. A assessoria não informou se há prejuízo direto ao paciente em função da dívida. Na Santa Casa de Fernandópolis, o passivo chega a R$ 8 milhões, R$ 6 milhões com bancos. O vilão das finanças do hospital é o pronto-socorro, que atende uma população regional de 110 mil pessoas e é responsável por 80% do déficit mensal de R$ 250 mil.
“Manter um PS é caro, e nenhum convênio cobre, nem o SUS nem os particulares. Tentamos tirar a diferença com campanhas beneficentes, jantares e leilões de gado. Mas nem sempre é possível”, afirma o provedor, Diomar Pedro Durval. A solução, diz, seria forçar mais prefeituras a ajudar nas despesas – apenas três dos 13 municípios da microrregião contribuem com o hospital.
Sem dívida, segundo o provedor, seria possível atualizar equipamentos obsoletos e aumentar a oferta de respiradores e desfibriladores (aparelhos para retomar os batimentos cardíacos). “No caso dos desfibriladores, o ideal é que cada setor do hospital tivesse um. Mas hoje só temos quatro”, diz. A dívida do Hospital de Base é de R$ 6 milhões. Há menos de cinco anos, o débito era de R$ 22 milhões, com fornecedores e impostos. O valor foi renegociado.
“Em três anos, vamos quitá-la”, diz o diretor-executivo Horácio José Ramalho. O hospital só não fecha no vermelho porque o Estado fornece, desde 2009, ajuda mensal de R$ 1 milhão. “É o reconhecimento de que o valor pago pelo SUS é insuficiente para cobrir os gastos.” Segundo o diretor, não houve corte nos atendimentos para equilibrar as contas. No momento, a direção está preocupada porque, a partir de junho, a folha salarial terá aumento de R$ 600 mil, em razão do dissídio dos funcionários.
Hoje, os 3,5 mil colaboradores geram gasto mensal de R$ 11 milhões. “Isso nos preocupa. Será necessário buscar o recurso.” Por mês, são gastos R$ 20 milhões para manter o hospital. A receita: R$ 9,2 milhões do SUS, R$ 1 milhão do Estado e R$ 10 milhões arrecadados entre plano de saúde, atendimentos particulares e convênios com prefeituras da região.
Santa Casa deve R$ 5,5 mi
A Santa Casa de Rio Preto tem dívida de R$ 5,5 milhões. O montante é referente ao empréstimo bancário contraído para quitar impostos atrasados e acertar o pagamento com fornecedores. Até 2020, a instituição tem o compromisso de pagar R$ 104 mensais para zerar o débito. Atualmente, o hospital fecha o mês no “azul”.
O provedor Nadim Cury afirma que sobra R$ 20 mil, todo mês, após pagamento do financiamento, funcionários e 20 mil atendimentos ambulatoriais. “Há sete anos, fechava o mês devendo R$ 150 mil. As contas foram colocadas em dia com otimização dos recursos.” Não foi necessário reduzir o quadro de funcionários.
“O plano de saúde e os atendimentos particulares ajudam.” Os aditivos do governo são investidos na melhoria da infraestrutura. O provedor diz que a Santa Casa conta com estrutura para realizar 250 cirurgias de todas as complexidades e um mil exames, como ultrassom, raio-X e mamografia, todo mês para moradores de cidades vizinhas. “Só que não temos condição de prestar esse serviço. Só se recebermos mais verba do Estado.”
O Diário esteve ontem no hospital e ouviu pacientes. Há cinco dias, a aposentada Claudivina Justina da Silva, 70 anos, deu entrada com fortes dores no peito e, até ontem, aguardava vaga no quarto. Apesar disso, não reclamou. “Fui bem atendida. Só a minha saúde que não está boa.”
Em Olímpia, déficit acumulado é de R$ 1,3 mi
Todo mês, a Santa Casa de Olímpia tem prejuízo de R$ 230 mil. A dívida acumulada é de R$ 1,3 milhão – R$ 800 mil com fornecedores e R$ 500 mil em financiamentos bancários. O hospital gasta R$ 650 mil por mês para manter o serviço e pagar os funcionários. A receita fixa é de R$ 420 mil – somados os repasses do Ministério da Saúde e do município.
São realizadas 3,5 mil consultas e 308 cirurgias mensalmente em moradores de Olímpia, Severínia, Cajobi, Guaraci e Altair. A crise financeira na qual passa a Santa Casa motivou, no primeiro semestre de 2010, intervenção da Justiça. A direção foi trocada após o corpo clínico paralisar os atendimentos emergenciais. Os médicos reclamavam que não recebiam da instituição o plantão de disponibilidade, ou seja, um valor fixo mensal pago para o profissional que é convocado para prestar atendimento.
O provedor Marcelo Gallette afirma que o atendimento ocorre de forma normal. Apesar das dívidas, diz que não houve redução nos procedimentos. “A situação é terrível. Não recebemos apoio. Se não existir mobilização da população, o hospital vai fechar um dia.” Em Jales, a Santa Casa local acumula dívida de R$ 772 mil com fornecedores e médicos. Há cinco anos, o déficit era duas vezes maior, R$ 1,5 milhão.
“Com jantares, leilões e emendas parlamentares, conseguimos amenizar a crise financeira”, diz o provedor, José Devanir Rodrigues. Mesmo assim, o hospital permanece no vermelho: enquanto o SUS repassa R$ 355 mil por mês, as despesas no mesmo período ultrapassam R$ 1 milhão. O rombo reflete diretamente no dia a dia da Santa Casa. “Precisávamos de pelo menos mais 30 funcionários, além de plantonistas em oftalmologia e dermatologia”, afirma o provedor. Atualmente o hospital conta com 275 funcionários, dos quais 81 médicos divididos em oito especialidades.
A Santa Casa de Novo Horizonte tem dívida de R$ 400 mil, decorrente de empréstimo bancário para a reforma do prédio. Mas, segundo o administrador, André Luiz Martins, a situação financeira está controlada. O Diário procurou as direções da Santa Casa de Santa Fé do Sul, e dos hospitais Padre Albino e Emílio Carlos, de Catanduva, mas ninguém foi localizado. Na maternidade de Mirassol, a direção estava em viagem.
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Assunto(s): Imprensa, Santa Casa




