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Jornal de Rio Preto mostra que a crise não atinge só a Santa Casa local, mas da região

Publicado em 18 de maio de 2011 às 10h14
Atualizado em 18 de maio de 2011 às 10h14

santasA Santa Casa de Misericórdia de Olímpia está até em situação melhor do que outras Santas Casas da região, e até de São Paulo, capital, que está para fechar o seu Pronto-Socorro. É o que mostra o Diário da Região, de Rio Preto, o terceiro maior jornal do interior paulista, em reportagem publicada hoje através dos repórteres Allan de Abreu e Raul Marques.

“Hospitais filantrópicos de sete das dez maiores cidades da região acumulam dívidas de R$ 32,6 milhões com bancos, fornecedores e médicos, além da Receita Federal. Sem dinheiro, muitas das instituições são obrigadas a reduzir a oferta de medicamentos, cortar a compra de novos equipamentos e até deixar de oferecer especialidades médicas. É o caso da Santa Casa de José Bonifácio”, conta o jornal. Dos oito hospitais que mais devem, Olímpia está em 5° lugar. Clique ao lado para ler toda a reportagem e se informar melhor.

Como o hospital de José Bonifácio não tem verba para reformar o prédio, os funcionários e pacientes convivem com goteiras pelos corredores. Também faltam cardiologistas e neurologistas disponíveis 24h no pronto-socorro. A entidade tem dívida acumulada de R$ 660 mil com fornecedores e decorrente de tributos.

“Quando um fornecedor de medicamento para de nos remeter produtos com pagamento a prazo, atrasamos o repasse para outra empresa a fim de poder pagá-lo à vista. É um malabarismo financeiro constante”, diz o administrador, Newton César Mathias. A maior dívida acumulada é da Santa Casa de Votuporanga – R$ 10 milhões, dos quais R$ 7 milhões decorrentes de empréstimos bancários e o restante em impostos.

O déficit mensal é de R$ 350 mil: para cada R$ 100 gastos no atendimento, o hospital recebe apenas R$ 85. A assessoria não informou se há prejuízo direto ao paciente em função da dívida. Na Santa Casa de Fernandópolis, o passivo chega a R$ 8 milhões, R$ 6 milhões com bancos. O vilão das finanças do hospital é o pronto-socorro, que atende uma população regional de 110 mil pessoas e é responsável por 80% do déficit mensal de R$ 250 mil.

“Manter um PS é caro, e nenhum convênio cobre, nem o SUS nem os particulares. Tentamos tirar a diferença com campanhas beneficentes, jantares e leilões de gado. Mas nem sempre é possível”, afirma o provedor, Diomar Pedro Durval. A solução, diz, seria forçar mais prefeituras a ajudar nas despesas – apenas três dos 13 municípios da microrregião contribuem com o hospital.

Sem dívida, segundo o provedor, seria possível atualizar equipamentos obsoletos e aumentar a oferta de respiradores e desfibriladores (aparelhos para retomar os batimentos cardíacos). “No caso dos desfibriladores, o ideal é que cada setor do hospital tivesse um. Mas hoje só temos quatro”, diz. A dívida do Hospital de Base é de R$ 6 milhões. Há menos de cinco anos, o débito era de R$ 22 milhões, com fornecedores e impostos. O valor foi renegociado.

“Em três anos, vamos quitá-la”, diz o diretor-executivo Horácio José Ramalho. O hospital só não fecha no vermelho porque o Estado fornece, desde 2009, ajuda mensal de R$ 1 milhão. “É o reconhecimento de que o valor pago pelo SUS é insuficiente para cobrir os gastos.” Segundo o diretor, não houve corte nos atendimentos para equilibrar as contas. No momento, a direção está preocupada porque, a partir de junho, a folha salarial terá aumento de R$ 600 mil, em razão do dissídio dos funcionários.

Hoje, os 3,5 mil colaboradores geram gasto mensal de R$ 11 milhões. “Isso nos preocupa. Será necessário buscar o recurso.” Por mês, são gastos R$ 20 milhões para manter o hospital. A receita: R$ 9,2 milhões do SUS, R$ 1 milhão do Estado e R$ 10 milhões arrecadados entre plano de saúde, atendimentos particulares e convênios com prefeituras da região.

Santa Casa deve R$ 5,5 mi

A Santa Casa de Rio Preto tem dívida de R$ 5,5 milhões. O montante é referente ao empréstimo bancário contraído para quitar impostos atrasados e acertar o pagamento com fornecedores. Até 2020, a instituição tem o compromisso de pagar R$ 104 mensais para zerar o débito. Atualmente, o hospital fecha o mês no “azul”.

O provedor Nadim Cury afirma que sobra R$ 20 mil, todo mês, após pagamento do financiamento, funcionários e 20 mil atendimentos ambulatoriais. “Há sete anos, fechava o mês devendo R$ 150 mil. As contas foram colocadas em dia com otimização dos recursos.” Não foi necessário reduzir o quadro de funcionários.

“O plano de saúde e os atendimentos particulares ajudam.” Os aditivos do governo são investidos na melhoria da infraestrutura. O provedor diz que a Santa Casa conta com estrutura para realizar 250 cirurgias de todas as complexidades e um mil exames, como ultrassom, raio-X e mamografia, todo mês para moradores de cidades vizinhas. “Só que não temos condição de prestar esse serviço. Só se recebermos mais verba do Estado.”

O Diário esteve ontem no hospital e ouviu pacientes. Há cinco dias, a aposentada Claudivina Justina da Silva, 70 anos, deu entrada com fortes dores no peito e, até ontem, aguardava vaga no quarto. Apesar disso, não reclamou. “Fui bem atendida. Só a minha saúde que não está boa.”

Em Olímpia, déficit acumulado é de R$ 1,3 mi

Todo mês, a Santa Casa de Olímpia tem prejuízo de R$ 230 mil. A dívida acumulada é de R$ 1,3 milhão – R$ 800 mil com fornecedores e R$ 500 mil em financiamentos bancários. O hospital gasta R$ 650 mil por mês para manter o serviço e pagar os funcionários. A receita fixa é de R$ 420 mil – somados os repasses do Ministério da Saúde e do município.

São realizadas 3,5 mil consultas e 308 cirurgias mensalmente em moradores de Olímpia, Severínia, Cajobi, Guaraci e Altair. A crise financeira na qual passa a Santa Casa motivou, no primeiro semestre de 2010, intervenção da Justiça. A direção foi trocada após o corpo clínico paralisar os atendimentos emergenciais. Os médicos reclamavam que não recebiam da instituição o plantão de disponibilidade, ou seja, um valor fixo mensal pago para o profissional que é convocado para prestar atendimento.

O provedor Marcelo Gallette afirma que o atendimento ocorre de forma normal. Apesar das dívidas, diz que não houve redução nos procedimentos. “A situação é terrível. Não recebemos apoio. Se não existir mobilização da população, o hospital vai fechar um dia.” Em Jales, a Santa Casa local acumula dívida de R$ 772 mil com fornecedores e médicos. Há cinco anos, o déficit era duas vezes maior, R$ 1,5 milhão.

“Com jantares, leilões e emendas parlamentares, conseguimos amenizar a crise financeira”, diz o provedor, José Devanir Rodrigues. Mesmo assim, o hospital permanece no vermelho: enquanto o SUS repassa R$ 355 mil por mês, as despesas no mesmo período ultrapassam R$ 1 milhão. O rombo reflete diretamente no dia a dia da Santa Casa. “Precisávamos de pelo menos mais 30 funcionários, além de plantonistas em oftalmologia e dermatologia”, afirma o provedor. Atualmente o hospital conta com 275 funcionários, dos quais 81 médicos divididos em oito especialidades.

A Santa Casa de Novo Horizonte tem dívida de R$ 400 mil, decorrente de empréstimo bancário para a reforma do prédio. Mas, segundo o administrador, André Luiz Martins, a situação financeira está controlada. O Diário procurou as direções da Santa Casa de Santa Fé do Sul, e dos hospitais Padre Albino e Emílio Carlos, de Catanduva, mas ninguém foi localizado. Na maternidade de Mirassol, a direção estava em viagem.

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