Livro do escritor Wayne, irmão do olimpiense Waldeluir, é proibido pela Justiça

Publicado em 13 de maio de 2010 às 11h37
Atualizado em 13 de maio de 2010 às 11h37

* O autor Wayne é irmão de Waldeluir Dublin, oftalmologista de Olímpia.

vooesperanca A Justiça de Rio Preto proibiu a publicação de novos exemplares do livro “Voo da Esperança”, sobre a tragédia do voo JJ 3054 da TAM, que matou 199 pessoas no dia 17 de julho de 2007, escrito pelo médium Woyne Figner Sacchetin e publicado pela editora Universo das Letras.

O juiz da 3ª Vara Cível de Rio Preto, Antônio Roberto Andolfato de Souza fixou multa diária de R$ 1 mil para ambos, no caso de descumprimento. A reportagem é de Helen Ventura e Giseli Marchiote, do Diário da Região.

A decisão atende a pedido de Carmem Elizabete Silva Caballero, que perdeu duas filhas e a mãe no acidente aéreo. O livro, segundo consta da ação, ofende a dignidade das vítimas e de Carmem, já que o texto informa que os passageiros foram “membros de um pelotão de mercenários a serviço de Roma que teria existido na Gália no ano de 60 antes de Cristo”. A advogada da editora Universo das Letras, Andrea Marcondes Machado de Mendonça, afirma que a determinação judicial será cumprida e não haverá a impressão de novos livros. “Vamos recorrer dessa decisão, pois pode haver prejuízo à editora.

Por se tratar de uma decisão liminar, o juiz precisa ter o cuidado de verificar que nenhuma parte será prejudicada até o julgamento final do pedido, o que pode acontecer se o livro puder ser novamente editado.” Procurado pela reportagem, o médium informou que não sabia nada a respeito da decisão. Para Carmem, a liminar é uma vitória parcial.

“Eu ainda espero uma condenação. O mínimo que a gente quer é respeito pela nossa dor, o que não houve nesse caso. Ele generaliza no livro, com todas as letras, que as vítimas morreram por merecer. Não me revoltei com a perda, porque minha fé é maior. Mas quando li o livro, não suportei.”

O advogado de Carmem, Marco Aurélio Bdine, afirma que entrará com agravo para que os livros que ainda estiverem nas prateleiras também sejam recolhidos. Uma nova audiência foi agendada para o dia 10 de junho, para decidir sobre a indenização, se houver. Bdine sugeriu mil salários mínimos, o equivalente a R$ 510 mil.

Venda

O comerciante José João da Silva, dono de uma livraria espírita no Calçadão de Rio Preto, afirma ter vendido cerca de 80 exemplares do “Voo da felicidade” desde que ele chegou à loja. ”As pessoas tem curiosidade no assunto. Só vou deixar de vender o livro se a Justiça ou a editora me enviarem uma notificação”, diz. Dois mil exemplares foram impressos e colocados à venda.

Obra vê vítimas como algozes

O livro espírita, que ainda está à venda no mercado rio-pretense, narra o acidente que causou a morte de 199 pessoas em 17 de julho de 2007. A explosão matou duas filhas de Carmem, Júlia Elizabete, 14, e Maria Isabel Caballero Gomes, 10, e a mãe Maria Elizabete Silva Caballero, 65 anos. Uma das teses apresentadas no livro é que todos os passageiros morreram na explosão da aeronave porque tinham débito em suas vidas passadas.

Eles seriam “os algozes da Gália”, membros de um exército mercenário romano que, 60 anos antes de Cristo, teriam queimado pessoas vivas. “Ontem vocês queimaram seres humanos, hoje veem seus corpos queimados”, diz um dos trechos da obra, ditada ao autor, segundo ele, pelo espírito de Alberto Santos Dumont. O livro descreve o acidente aéreo do ponto de vista espírita. “A providência divina, em sua sabedoria infinita, não colocou neste avião espíritos inocentes, mas almas seriamente comprometidas com um passado de erros”, diz outro trecho.

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14 comentários

  1. João Paulo O. Campos disse:

    “Voo da Esperança” , certo que todos que pecam que sejam merecedores de pagar os seus pecados!!!!! Mais c/generosidade de DEUS c/seus filhos não haveria de ser penalizados da forma tragica do acidente aéreo …iria resgatar ou justificar para serem merecedor de um plano melhor. Com os devidos respeitos aos Dogmas das religões….c/ ctz o escritor com todo respeito a dor dos familares, não fez menção do incedente para denegrir aos familares mencionados.

  2. Kéli Cristina disse:

    Para quem já teve algum tipo de “curiosidade” em relação à Doutrina Espírita, com certeza já ouviu dizer a respeito da lei de ação e reação. Nossos espíritos foram criados por Deus com a condição do livre arbítrio, portanto, podemos fazer o que nossa vontade quer, porém, resgataremos os nossos erros do passado conforme a Lei Divina que é perfeita. Podemos levar muitas encarnações para resgatarmos erros de muito tempo atrás, até de séculos passados. Assim, com o pouco que, humildemente consegui aprender sobre a Doutrina até o presente, é sim possível a reunião de espíritos que encorreram em um mesmo erro no passado para um desencarne coletivo. Respeito muito a dor de todas as famílias dos espíritos que partiram para o plano espiritual neste acidente mas, nada é por acaso e Deus em sua Infinita Misericórdia nunca nos desampara.

  3. Luiz Augusto da Silva disse:

    Religiosidade: uma questão de fé…

    ” Entre o céu e a terra existem mistérios que a própia razão desconhece”.

    Com todo respeito:

    Será, que a “mediunidade” pode afirmar que ações do passado estão interligadas (causa e efeito), neste caso, com as fatalidades que na modernidade acontecem neste plano terrestre?

    O homem tem este poder?

    Aguardo uma resposta convincente.

    Antecipadamente grato,

    Luiz Augusto da Silva – poeta.

  4. Ademir disse:

    Alem de tudo, trata-se de uma obra de ficção, por exemplo, o autor cita um pretenso encontro acontecido em 58 AC entre soldados romanos, onde é usada uma lança com uma bandeira branca em sinal de paz, isso é impossível ter acontecido, pois os Romanos usavam outro sinal para paz ou rendição, eles levantavam os escudos acima das cabeças, o tal médium deveria ter pesquisado um pouco…

  5. Kéli Cristina disse:

    Todas as respostas para as questões da vida podem ser encontradas nas cinco obras básicas de Allan Kardec: 1-O Livro dos Espíritos; 2-O Livro dos Médiuns; 3-O Evangelho Segundo o Espiritismo; 3-O Céu e o Inferno; e 4- A Gênese.

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      Kéli Cristina, obrigado pelas indicações literárias.

      Será que encontrarei um esclarecimento exato sobre a tragédia que reuniu 199 pessoas predestinadas à morte, como “castigo”, por ações que praticaram em outra ou outras encarnações?

      Você não acredita que há uma excessiva coincidência para esta curiosa maledicência?

      Respeitosos cumprimentos, do poeta olimpiense,

      Luiz Augusto da Silva.

  6. Kéli Cristina disse:

    A palavra correta não é “castigo” e sim RESGATE. Deus em sua infinita sabedoria, pois é ONISCIENTE (tudo sabe) e também Onipresente (está em toda parte) e Onipotente (tem poder supremo), não castiga nenhum de seus filhos. É uma pena pensar que Deus seja maledicente em nos dar oportunidadees de resgatarmos as faltas do passado. Com todo respeito, como já manifestei às famílias que perderam seus entes neste acidente, sei bem que devem sofrer a saudade pois com certeza ainda trazem um grande amor pelos que partiram. Assim também sofreram as famílias dos espíritos que desencarnaram no tsunami na Indonésia, nos terremotos do Haiti e do Chile, nos delizamentos no Rio de Janeiro e recentemente o acidente com um avião na Líbia. Acima de tudo, Deus nos ama e somos todos irmãos na caminha evolutiva. Que lhe abençoe e lhe guarde sempre na palma de sua mão.

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      Prezada Keli, acredito, salvo melhor juízo, que a palavra “castigo” faz amplo sentido à minha resposta anterior. Justifico a minha afirmativa, destacando da matéria: ” Eles seriam os “algozes da Gália”, membros de um exército mercenário que, 60 anos antes de Cristo teriam queimada pessoas vivas. Ontem vocês queimaram seres humanos, hoje veem seus corpos queimados”… Desculpe-me a sinceridade: se isto não é o bastante para caracterizar castigo (Olho por olho. Dente por dente), no mínimo denota revanchismo. O quê você me diz?

      Respeitosos cumprimentos, do poeta olimpiense,

      Luiz Augustoda Silva.

  7. Humberto Luchi disse:

    Nada posso comentar sobre o conteúdo específico do livro pois ainda não o li e, talvez, nem venha a vê-lo nas livrarias… Porém, será que não seria antes uma verdadeira ação de misericórdia permitir que seja assim? Qual coração verdadeiramente arrependido não gostaria de resgatar seus erros? Muita vez só conseguimos ter a dimensão do mal e da dor que causamos enfrentando situação semelhante, aprendendo desta forma… Para os familiares, será possível aceitar que criaturas queridas foram tiradas de seu convívio por Mistério Divino ou existiria uma razão justa para que as coisas fôssem assim? Para os meus filhos, preferirira a versão do livro, que demonstra um Pai Todo-Poderoso, mas também infinito em justiça, amor, bondade e misericórdia.

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      Humberto, boa noite. Tudo bem?

      Antes de tudo, deixo claro que não quero ser polêmico. Busco o entendimento.

      No seu comentário consta: …”Mistério Divino”…

      Você acha que um segredo de Deus pode ser desvendado, terrenamente, seja lá por quem for?

      Se o “Mistério é Divino” não é coerente afirmar que só Deus pode desvendar?

      Não está existindo uma mistura, sem lógica, da espiritualidade com a materialidade?

      Não se obrigue a responder, por favor.

      Pois acredito que minhas perguntas já estão respondidas , por você mesmo. Pense um pouco:..” Mistério Divino”…como um homem pode explicar. Não é?

      Fraternais abraços, do poeta olimpiense,

      Luiz Augusto da Silva

  8. Humberto Luchi disse:

    Certamente, a Criação possui muitos mistérios, mas é certo, tão certo que vale para qualquer religião cristã e possui o mesmo significado: As leis de amor a Deus e ao próximo, o perdão, a misericórdia, a caridade, esta tão importante que Jesus a colocou como critério para o julgamento…Certo, ainda existem Mistérios em relação a Deus, mas não os existem em relação à sua vontade, muito clara pelas palavras e exemplos de Jesus. Assim, creio que a sua Toda-Poderosa Vontade jamais virá sem a Sua infinita justiça, amor, misericórdia e bondade. coisas as vezes, muito difícieis para nós na prática, mas bem simples de compreender, pois se assim não fôsse, Jesus não teria escolhido ensiná-las, em princípio, em localidades sem importância econômica, política ou filosófica, às pessoas simples, tecelões e pescadores, as margens de Cafarnaum. Então, um fato assim, desta dimensão com tamanha comoção entre cristãos e não-cristãos, especialmente para os familiares queridos dos acidentados, não poderia acontecer longe destas Leis de Amor ensinadas e exemplificadas pelo Cristo Jesus.

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      Humberto, boa noite! Tudo bem?

      Muito obrigado pela sua generosidade e boa vontade na tentativa de mostrar-me a verdade.

      Sinceramente, concluo mais uma vez que religião é uma questão de fé. Ou melhor, inquestionável e/ou indiscutível.

      Continuo com as minhas concepções. Claro que, ecumenicamente, respeitando o dogma de cada religião.

      ” Disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

      Abraços fraternais.

      Luiz Augusto da Silva – poeta.

  9. Felício disse:

    Prezados,

    Deus, diabo, céu, inferno e outras lendas não existem!

    São meras criações dos gregos antigos! Com o objetivo de controle e poder sobre a população.

    Pesquisem mais, não se deixem dominar pelos ensinamentos religiosos

    Att

    • Se vc é ‘um nada’, se é produto do ‘acaso’, eu não sou. Não existem realmente ‘seres divinos’, mas a vida é divina, e bom e mau só depende de como enxergamos a vida. Se alguém vê a vida como um belo acaso, problema dele. Eu vejo como milagre divino. Cada um no seu quadrado. Se a cela de alguns é acreditar em Deus, Diabo etc… a cela de outros é estar no limbo do nada.
      Prefiro não ser ‘um nada’.
      Em tempo: Felício vem do francês Felix, homem feliz. Se é feliz sendo nada que veio do nada e que vai para o nada, tudo bem…

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