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Padre Ivanaldo, após a morte de padre Luciano, reflete: "Morrer é doar a Vida"

Publicado em 02 de setembro de 2010 às 21h04
Atualizado em 02 de setembro de 2010 às 21h11

padres * Padre Ivanaldo Mendonça, pároco da Paróquia de São José de Olímpia, enviou artigo ao Blog refletindo sobre um tema que incomoda a maioria das pessoas: a morte.

Oito dias após a morte do padre olimpiense Luciano, o sacerdote passa uma lição: “Aprendendo com a morte a doar a Vida”.

APRENDENDO COM A MORTE A DOAR A VIDA

DSC09730 O óbito do Padre Luciano Carlos da Silva, ocorrido no último dia 24, comoveu a todos, indistintamente. Aos familiares, amigos e cristãos católicos, sobretudo, esta dor doeu mais forte, pois no auge do exercício do ministério sacerdotal, aos 33 anos, este irmão volta à casa do Pai, após percorrer o calvário da enfermidade.

Passados os funerais e a celebração de sétimo dia de sua entrada nos céus, ocorreu-me que “a vida do Padre Luciano não foi tirada e sim doada”. Esta perspectiva não me foi aberta pela lógica ou filosofia, mas pela fé. A fé não cega, nem amputa nossas faculdades, mas nos dá condições de vislumbrar e lançar-nos ao que está além de nós e que não deixa de existir ou ser verdadeiro pelo simples fato de não estar sob nosso controle, como o é o sentido da vida humana.

Pela força da fé e do amor, Luciano fez da vida um constante doar-se, um constante oferecer-se a Deus e aos irmãos. Doou a juventude, a alegria, a dedicação, a coragem, a disciplina e perseverança, a inteligência, a força física, os sacrifícios, a enfermidade. Assumindo a vocação sacerdotal nada perdeu. Descobriu riquezas maiores fazendo-se, à semelhança do Cristo Bom Pastor, “pai de todos”, “irmão de todos”, “amigo de todos”, “filho de todos”. Este constante oferecer-se exigiu do jovem Luciano que, muito mais que confiar em si mesmo, aprendesse a confiar na força sustentadora do Espírito Santo de Deus.

O óbito do jovem presbítero coroa a caminhada terrena de alguém que foi capaz de abrir mão da própria vida em vista de um projeto de amor e doação: o Reino de Deus. Reino que não se impõe pela força, violência e poder; Reino que é proposta de amor e adesão. Se pensasse apenas em si, se cuidasse apenas de si, se amasse apenas a si, talvez seu tempo de vida entre nós se prolongasse. O pensar em nós, o cuidar de nós e o amar a nós, tornou mais breve o número de anos deste nosso “pai-irmão” aqui na terra.

Creio profundamente que idade e tempo de vida terrena não podem ser equiparados à maturidade, experiência e, sobretudo, capacidade de amar. Todos os que vivem muito, amam muito? Todos os de cabelos brancos são experientes? Quando “perdemos” alguém que amamos com mais tempo de vida sofremos menos?

Resta-nos dizer ao Pai do céu: Muito obrigado, Senhor! Por todos os que doam e muito mais, Se doam no seguimento fiel a teu filho Jesus, a ponto de entregar a própria vida com alegria e disposição para que outros vivam, cresçam, amem, amadureçam. 

À família do Padre Luciano nossa gratidão por oferecer á Igreja um filho tão empenhado e radical no amor e no serviço a Deus e aos irmãos.

À Paróquia São João Batista e Comunidade São José, celeiro no qual a vocação do Luciano foi cultivada com carinho, toda a Igreja agradece.

Inspirado em Cristo Jesus, Luciano deixa-nos como herança um tesouro que a traça não corrói e que o tempo jamais apagará: as marcas profundas e indeléveis da doação generosa de si. Louvo e bendigo a Deus por me permitir testemunhar página tão bonita da história, que me faz aprender com a morte a doar a vida.

Pe. Ivanaldo Mendonça

Pároco da Paróquia São José – Olímpia (Texto original do Blog do Concon®)

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7 comentários

  1. Luiz Augusto da Silva disse:

    Caríssimo Padre Ivanaldo! Boa Noite!

    Confortantes e fervorosas são as palavras que externam a sua reflexão.

    “Aprender com a morte doar a vida” é uma bela lição”.
    Ensina, também, que morrer é uma condição à vida com amplidão.

    “…Pois é morrendo que se vive para a vida eterna…”

    Parabéns pelo seu carismático exercício da vocação sacerdotal.

    Fraternais abraços.

    Luiz Augusto da Silva.

  2. cesar nascimento disse:

    A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.
    Ó doçura da vida: Agonizar a toda a hora sob a pena da morte, em vez de morrer de um só golpe.
    Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça.
    Nenhum homem que tenha vivido conhece mais sobre a vida depois da morte que eu ou você. Toda religião simplesmente desenvolveu-se com base no medo, ganância, imaginação e poesia.

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      Gostei Cesar! Parabéns !

      “A vida terrena nos conduz à existência suprema”.

      ” O “hoje passageiro”, um abraço físico e um beijo à face anunciam o “amanhã” eterno com espiritual enlace”.

      Na realidade a “morte” é um passaporte…

      Fraternos cumprimentos,

      Luiz Augusto da Silva – poeta.

  3. Mariinha disse:

    Pe Ivanaldo, suas palavras dirigidas à família do Luciano me tocaram profundamente, por ter vivido uma caminhada tão parecida como da mãe dele.Sou agradecida `a DEUS por tê-lo como amigo e pastor. Que nosso Pai continue fazendo do seu sacerdócio, esta presença tão impotante na vida dos que caminham ao se lado.Meu carinhoso e materno abraço. Mariinha

  4. Padre Ivanaldo disse:

    Saudações amigos!
    Os pensamentos experessos neste texto são uma tentativda de dar “vida” ao que passa pela minha mente e coração. Evetie a tentação de dar exlicações ou repetir “chavões” que ecoam no tempo e que perderam a força para tocar o coração e transformar a vida das pessoas.
    Obrigado Leonardo por aceitar publicar em vosso blog tão simples expressão de amor e fé.
    Gratidão Luiz Augusto por enxergar a tudo com um olhar poético.
    Obrigao Cesar por comparitilhar seus sentimentos.
    Gratidão Mariinha Bortolo em poder conhecer e, de alguma forma, fazer parte de sua história. Mãe, esposa, avõ, educadora e cristã católica cuja vida “foi” marcada por perdas humanas tão profundas e que, a cada dia, como a fenix, resurge das cinzas e aponta com espernaça para o Cristo Ressucitado.
    Abraço fraterno a t dos.

    • Luiz Augusto da Silva disse:

      Padre Ivanaldo, o senhor disse-me um dia para a minha alegria que o poeta através da poesia é, também, um intermediador entre as coisas do céu e de terra. Esta declaração traz-me muita felicidade e ,proporcionalmente, aumenta como cristão a minha responsabilidade.

      Grato pela sua mensagem com generosidade.

      Abraços fraternos.

      Luiz Augusto da Silva.

  5. Padre Ivanaldo disse:

    Saudações!
    Registro meu agradecimento ao Vereador Luiz Antonio Moreira Salata que, ao prestar homenagem póstuma ao Padre Luciano Calros da Silva, no encerramento da sessão ordinária da Câmara Municipal, de 8 setembro, honrrou-me ao incluir este simples texto em seu requerimento.
    Que Deus cultive em seu coração a sensibilidade, característica que não poder faltar a um homem público uma vez que sua missão missao é servir e promove ro bem comum.
    Abraço fraterno.

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