‘Diário’ confirma Blog: Bagaço fez com que Olímpia e 4 cidades formassem ‘ilha de luz’
O que este Blog noticiou na quarta-feira (11), o “Diário da Região”, de Rio Preto, terceiro maior jornal do interior paulista, confirmou dois dias depois: a energia elétrica gerada pelo bagaço de cana fez com que as ruas de cinco cidades da região se transformassem em “ilhas” de luz diante do blecaute generalizado da última terça-feira (10). Isso porque Barretos, Olímpia, Severínia, Cajobi e Colômbia integram um sistema de distribuição de eletricidade desvinculado das três linhas de transmissão de Itaberá, no sul do Estado, onde, segundo o governo federal, houve a pane que culminou no apagão.
Nas cerca de cinco horas em que durou o apagão, Olímpia e as outras quatro cidades citadas foram alimentadas pela usina de Porto Colômbia, no rio Grande, administrada por Furnas. “Aqui teve apenas um pico de 30 segundos de apagão. Depois ficou tudo normal”, disse a provedora da Santa Casa de Olímpia, Helena de Souza Pereira, ao jornal rio-pretense.
A MATÉRIA DO ‘DIÁRIO’
A energia elétrica gerada pelo bagaço da cana-de-açúcar em 11 usinas da região de Rio Preto seria mais do que suficiente para livrar o Noroeste Paulista de blecautes como o da última terça-feira. Juntas, essas empresas geram 144 mil megawatts/mês de energia a partir da queima do bagaço, volume que daria para alimentar por um mês 727,2 mil residências ou 2,9 milhões de habitantes. Ou seja: a região, que tem 1,3 milhão de moradores, seria abastecida por dois meses sem depender da energia das hidrelétricas.
O cálculo foi feito pelos engenheiros elétricos José Antonio Jardini, da Politécnica da USP, e Jair Antonieto, da usina Nardini, a pedido do Diário. No entanto, toda essa energia é vendida às concessionárias, cai no sistema comum de abastecimento do País, administrado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), e fica sujeita ao desligamento automático em caso de pane, como ocorreu na noite de terça-feira.
Somente a usina Cerradinho, maior produtora de energia a partir do bagaço, 50 MW/h, alimentaria a cidade de Catanduva. Mas, como essa eletricidade é transferida para a rede da Companhia Nacional de Energia Elétrica (CNEE), também fica inutilizada em apagões.
“O desligamento foi devido à atuação de um sistema de proteção que visa manter a integridade da usina, do sistema elétrico e dos clientes da distribuição. Caso não ocorresse o desligamento, a instabilidade no sistema elétrico poderia ter provocado uma elevação perigosa dos níveis de tensão de fornecimento e consequentemente a queima de equipamentos em toda a linha de distribuição, inclusive nas residências”, disse o engenheiro do departamento de operação do sistema da CNEE Fábio Carrasco Baptista.
Já o engenheiro Jardini discorda. Para ele, as usinas poderiam servir como mega-geradores para a região em casos de blecaute, desde que fosse construída uma rede paralela de distribuição de energia. “O custo financeiro seria altíssimo”, pondera.
Negócio atrativo
A venda da eletricidade gerada a partir do bagaço da cana tornou-se um negócio atrativo para as usinas. Por hora, os 202 MW/h das 11 usinas geram um faturamento bruto de R$ 32 mila.
Além disso, tanto a Cerradinho quanto a Açúcar Guarani, de Olímpia, lucram também com a venda de créditos de carbono a partir da cogeração de energia. A Guarani vende créditos desde 2003, e fatura por ano R$ 460 mil, em média. “Embora o valor médio do megawatt esteja baixo atualmente, ainda é viável para a empresa”, diz Fábrio Pelegrini, engenheiro da Guarani. A Cerradinho não informou o faturamento com os créditos de carbono.
A eletricidade a partir do bagaço da cana surge no processo de diminuição da pressão do vapor das caldeiras da usina. Essa redução gera energia térmica, usada na fabricação do açúcar e do álcool, e energia elétrica, vendida para as concessionárias.
Assunto(s): Apagão







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