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Diário de Barretos: Uebe "traíra", segundo Serra. Afinal, quem tem mais moral?

Publicado em 30 de setembro de 2010 às 12h38
Atualizado em 30 de setembro de 2010 às 12h38

uebe-serra * O Diário de Barretos publica hoje o segundo editorial abordando a declaração do candidato ao governo do Estado, José Serra (PSDB), acusando o deputado estadual do PMDB, candidato à reeleição de “traíra” por abandonar, na reta final, o seu apoio em favor de Dilma.

“As declarações do candidato José Serra em Barretos pegaram a imprensa, políticos e eleitores de surpresa. Ao acusar textualmente o deputado Uebe Rezeck de “traíra”, o tucano criou clima forte de euforia de um lado e de revolta de outro.

-José Serra ganhou e perdeu um punhado de votos”.

A declaração afetou também a campanha do ex-prefeito, com danos de um lado e adesões de outro. As afirmações demonstraram a “irritação” do tucano e confirmaram a estratégia já prevista do peemedebista na reta final do processo eleitoral.

-Mas, afinal de contas, por que José Serra ficou insatisfeito com a postura do deputado do PMDB?

Em função de ter prestigiado o parlamentar ao longo de sua gestão como governador. Mais inclusive do que muitos parlamentares de seu partido, com atuação na região. Atendendo conselho de Aloísio Nunes, fiador do ex-prefeito, José Serra permitiu que o parlamentar fizesse campanha continuada e fosse visto como próximo do governo e do Palácio dos Bandeirantes.

-Uebe Rezeck teve postura histórica e manteve seu romance com a situação paulista até o limite de seu próprio interesse.

A grande surpresa portanto não foi somente a declaração do candidato ao Planalto. Foi dizer da maneira que disse na reta final de uma campanha dura, de um deputado que atuou como sempre na política. Uebe Rezeck ficou no barco em que acredita levar mais vantagem pessoal e política. Esteve com Serra enquanto foi governador. Agora, é Michel Temer que tem dianteira nas pesquisas, como vice na chapa de Dilma.

-Se Uebe Rezeck foi traíra, José Serra foi ingênuo?

Não é possível admitir que um político com carreira de prefeito, deputado, senador, ministro e governador seja “ingênuo” na avaliação de políticos. Não é possível admitir que um político com mandato de prefeito, deputado, secretário de estado e chefe de gabinete de ministro seja chamado de traíra por descuido ou avaliação circunstancial.

A saia justa de todo incidente foi mais “incisiva” para a diretora da pasta de planejamento regional. Maria da Graça Lemos foi leal à campanha de Serra durante todo o período. Foi fiel à candidatura do candidato tucano ao governo paulista. E tem sido leal ao deputado peemedebista, seu padrinho na indicação no cargo. Não pode ser acusada de traíra e nem de indiferente. Politicamente, ficou sem chão em todo o episódio.

Agora só resta ficar atento para ouvir a voz das urnas e entender o que o eleitor barretense achou de Serra classificar Uebe de traíra. Dia 3 de outubro será possível avaliar os resultados. De ambos, evidentemente.

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