Juíza faz discurso duro durante lançamento de campanha contra violência escolar: "Não vamos tolerar pais que não educam filhos"
* Foi lançada na noite desta quarta (4) uma gestão participativa pioneira, pelo menos na região, para combater a crescente violência nas escolas de Olímpia, sejam municipais, estaduais ou particulares.
O evento foi na Casa de Cultura, às 18h30, com a presença de pais, alunos, lideranças, vereador José Elias Morais (PMDB) representando a Câmara Municipal e convidados.
A partir desta quinta (5), condutas inadequadas de crianças e adolescentes dentro das escolas terão efeitos disciplinares e judiciais. Aos pais, caberá a parcela real da situação: a educação é responsabilidade deles, não dos professores.
E essa responsabilidade ficou clara no discurso duro da juíza da Vara da Infância e da Juventude Andrea Galhardo Palma: “Não vamos tolerar pais que não educam corretamente os seus filhos. Não transfiram a responsabilidade da educação do caráter e da moral para os professores; eles tem de ensinar, transferir conhecimentos”.
Após diversas reuniões e estudos desde o começo do ano entre as partes, houve finalmente a junção de oito entidades, afinados na mesma estratégia: Prefeitura; Secretarias Municipais da Educação, Assistência Social e Saúde; Ministério Público e Poder Judiciário (nas respectivas Varas da Infância e Juventude); Polícia Militar e Conselho Tutelar.
A campanha lançada em Olímpia – “Todos fazendo a lição de casa, o mundo passa a ser bem diferente: Diga Não à Violência”, além do objetivo principal de selar a cooperação entre os entes públicos e sociedade no que concerne à identificação dos fatores que geram a violência nas escolas, define a prática de ações mais efetivas para resolver o problema. E elas começam dentro de casa, ou seja, no seio familiar dos alunos.
DA ADVERTÊNCIA À PSC
Um folheto explicativo será distribuído aos quatro mil pais da rede municipal de ensino e quantidade praticamente igual para os da rede estadual e particular. “Olímpia começa uma nova história na educação escolar e você faz parte destas mudanças”, diz o folheto.
Nele, as “condutas inadequadas” de crianças e adolescentes dentro da escola, tais como vandalismo, desobediência, agressão verbal e física, o famoso ‘bullying” – que segundo a secretária da Educação Eliane Bertoncelo Monteiro “é o que mais ocorre nas escolas” – entre outras, terão efeitos disciplinares e judiciais, começando com advertência com assinatura dos pais e do próprio aluno de que o fato não mais ocorrerá. Se repetir, o caso vai para a Polícia, onde será lavrado um ato infracional de desobediência. E, finalmente, poderá alcançar a Promotoria de Justiça que, neste caso, determinará o cumprimento de PSC (Prestação de Serviços Comunitários), que poderá ser na própria escola, com termo lavrado judicialmente.
Aos pais, segundo está sendo orientado, qualquer conduta inadequada eles serão chamados na escola onde assinarão termos de responsabilidade. Se não houver melhora, o caso poderá ser encaminhado ao Conselho Tutelar que, por sua vez, deverá intervir solicitando estudo social, psicológico, para diagnosticar se o problema tem como raiz a própria família.
E, aplicada a medida protetiva e não obtendo adesão por parte dos pais, a resistência deles será comunicada ao Ministério Público, que adotará medida judicial pertinente.
Ficou acertado, ainda, que nos casos de dano ao patrimônio público, além das medidas criminais, a orientação direcionada aos diretores foi para que façam pedidos de indenização junto aos pais, para imprimir a estes a responsabilização cível dos atos dos filhos.
GENINHO: SEM DIVISÕES
“O tempo da divisão acabou em Olímpia”, declarou o prefeito Geninho Zuliani (DEM) em seu discurso. “O exemplo está nesta mesa, onde os problemas serão resolvidos em conjunto, porque cada problema de Olímpia também é problema de cada um de nós”, acrescentou.
Na mesa citada pelo prefeito estavam, como já foi referido, a juíza da 2ª Vara (e também da Vara da Infância e da Juventude) Andrea Galhardo Palma; a promotora também da Infância e Juventude Daniela Ito Echeverria; a presidente do Fundo Social Fernanda Zuliani; o vereador Zé das Pedras, representando o Legislativo; o tenente PM Righetti, representando o comandante da 2ª Companhia, capitão Zoppellari; o cabo Alexandre Zanete, representando o sargento comandante dos Bombeiros Adileu Galina; as Secretárias Silvia Forti (Saúde), Eliana Bertoncelo (Educação) e Desenvolvimento Social (Carmem Bordalho); o conselheiro tutelar Rodrigo Maceno; a supervisora regional de Ensino Dagmar Caversan Antunes e seu marido, também supervisor Nelson Carlos Antunes; e o palestrante convidado Mauri Trevisan, professor universitário, biólogo e secretário de Meio Ambiente de Barretos.
Geninho cumprimentou a juíza Andrea Palma e a promotora Daniela Ito, ressaltando que “Olímpia vem ganhando, e muito, com a ação de nosso Poder Judiciário e Ministério Público, principalmente porque, no caso das doutoras Andrea e Daniela, são pessoas envolvidas, quer dizer, envolvidos todos nós somos, são pessoas comprometidas com o bem-estar e desenvolvimento de nossa sociedade”.
“Para mim, a principal causa que desencadeia a maioria dos problemas do mundo é a falta de estrutura familiar”, frisou o prefeito. Para ele, “as famílias precisam ser reestruturadas, acima de tudo. As pessoas precisam ter religião, seja ela qual for. E nós temos de ter medo das coisas, medo de tudo, de morrer, de perder o emprego, de passar fome, de não ganhar o suficiente para viver com dignidade, até de ir para o inferno. É isso o que nos mobiliza, para trabalharmos cada vez mais e construirmos uma sociedade melhor”.
O prefeito disse, ainda, que “a escola não pode ser um depósito de crianças, se fosse para ser assim, apenas para receberem a merenda, o Tribunal de Contas deixaria a prefeitura pagar a merenda com o percentual da Educação, mas eu não posso, justamente porque não é um fim educacional a merenda escolar, a merenda, na realidade, é uma necessidade de alimentar o aluno naquele período e ponto final”.
CADÊ A IMPRENSA?
Antes de concluir o seu raciocínio, o prefeito Geninho demonstrou que, apesar dos esforços de vários segmentos buscarem, juntos, as soluções da cidade, boa parte da imprensa olimpiense não compartilha dessa união, não participa dos eventos, e, justamente a que não comparece em nada, contraditoriamente, é a que mais critica, seja em jornais, seja em emissoras de rádio.
O prefeito fez a ‘chamada’ nominal de cada jornal e emissora de rádio, inclusive as FM, e apenas dois representantes estavam presentes: este repórter, Leonardo Concon, do Blog do Concon e do jornal Gazeta Regional, e Alberto Tófoli, da Folha da Região.
Não compareceram: Planeta News, Tribuna Regional, Tablóide da Nova Paulista, Rádios Menina AM e FM, Rádio Difusora AM e Band FM. “O comprometimento seria se a imprensa, aquela que nos informa no dia a dia, estivesse presente aqui também. Qual é a responsabilidade social da imprensa? Aquela que vai passar as notícias nas emissoras de rádio para vocês ouvirem amanhã? Que vão publicar nos finais de semana? E que não registram momentos como esse, principalmente empresas de radiodifusão que são concessões públicas a serviço da comunidade. Fica aqui esse meu desabafo, porque a imprensa geralmente só gosta de cobrir coisa ruim e é nesse momento que a imprensa deveria estar presente”.
O prefeito foi interrompido por aplausos dos presentes, e encerrou a sua participação na tribuna.
Por fim, foi transmitido um pequeno filme intitulado ‘Pais Maus’ que, na verdade, na visão de alguns filhos, os ‘pais maus’ são aqueles que controlam, que querem saber de tudo, que se preocupam realmente com cada passo que eles dão e, na sequência, o palestrante Mauri Trevisan falou sobre educação familiar, a necessidade, sim, de impor limites e vigilância no que os filhos fazem, e aconselhou pais e mães em muitas áreas pedagógicas no seio familiar.
Assunto(s): Violência






Parabéns Leonardo Concon, pela excelente cobertura do evento de tão grande relevância a toda sociedade. Sabemos que estamos vivendo numa sociedade difícil, onde o pai e a mãe ficam o dia todo no trabalho e não tem tempo para educar os seus filhos, que muitas vezes são criados pelos avôs, as famílias acabam destituindo da sua função educativa, delegando-a è escola. O profissional da educação realmente não está preparado para assumir o papel dos pais, que a meu ver é insubstituível. É muito bom saber que a sociedade de Olímpia começou a se organizar para enfrentar esse fenômeno social, e melhor ainda, com o poder judiciário à frente tomando medidas cabíveis, não podemos deixar que a violência tome conta das nossas vidas. Concordo plenamente com as palavras do Prefeito Geninho quando diz que as pessoas precisam fortalecer sua espiritualidade e que a escola não pode ser deposito de crianças. Porém, acredito que esse problema não seja só dos pais, mas de toda a sociedade e são movimentos como estes que mobilizam para enfrentar o problema. Espero que Olimpia se torne exemplo para outros municipios, na solução dessa realidade inegável da violência.
o problema começa mt antes da escola, começa qdo a criança é gerada! a gravidez tem que ser programada e a criança querida e esperada. Muitas crianças nascem por acaso, de relações casuais, sem planejamento e sem uma familia de verdade. Crescem em casas e não num LAR, assistem só brigas e trocam de pai (?) muitas vezes. Homens que não estão comprometidos, assim como o pai biológico tbém não esteve. O traficante adota essas pessoas e fornece *o sonho*.Mas nguem fala em controle de natalidade. Sei de 1 mulher que já teve e deu 7 crianças, pq não operam pra não ter mais se depois somos nós que temos que arcar com o custo financeiro, social e a violencia ?
Ótimo inicio de campanha…
Parabéns por este trabalho, que esta sendo realizado na educação em Olimpia.
Aqui em Ibirá temos um trabalho em conjunto com todas as igrejas do municipio, que é a convocação dos pais para estar junto aos seus filhos na escola.
Pois a escola é para se aprender o pedagogico e não ensinar educação.
Prezado colega Leonardo,
Inaceitável no evento de tamanha magnitude, deixarem de convidar a OAB, que necessariamente deveria estar presente nesse evento, foi um desrespeito total, não só com a classe dos advogados, mas também com a população que confia e acredita na instituição. Quem poderá explicar as causas e conseqüências do tema senão um profissional do direito?….. A credibilidade do evento pode ser contestada pela população face a essa ausência?….. ( art. 133 da Constituição Federal “ O advogado é indispensável á administração da Justiça ……) ( art. 2º § 1º da Lei 8.906 de 94 “ O advogado é indispensável à administração da Justiça § 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.) . Como vice-prefeito e advogado (licenciado), peso desculpas a população e aos colegas advogados, por aqueles que organizaram o evento. Esclareço que eu não estava presente, por motivos de força maior, mas fui convidado.
Forte Abraço.
Concordo plenamente com a importancia da OAB, mas elevar a importancia dela ao ponto de achar um desrespeito a classe de advogados me da a impressao de despeito, uma vez que se fazia presente o ministerio publico e o judiciario, alem da maior autoridade do municipio o sr. prefeito municipal, o que valida o inicio da campanha. O sr. vice prefeito por certo deveria estar sabendo da campanha e como advogado que e, mesmo que afastado do exercicio nao deixa de ser, poderia envolver a classe nesse trabalho maravilhoso. Diante da repercussao de sucesso ai aparecem todos querendo participar… Quantas maiores forem as liderancas representativas envolvidas, maiores serao os resultados de sucesso. Sera que chegou a hora de pararmos de pensar sou da AOB, ABC, ABIN, Rotary, Maconaria, Lider de Bairro, ou alguem importante no processo, deveriamos arregacar as mangas e trabalharmos pela causa… O sucesso hoje representa uma mudanca de geracao amanha.
……Pau que nasce torto morre torto…..