A reflexão de Matheus Cosso sobre a velhice
Idoso é uma pessoa considerada de 3ª idade. A Organização Mundial da Saúde classifica cronologicamente como idosa as pessoas com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento.
Após sete anos tramitando no Congresso, o Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003 e sancionado pelo presidente da República no mês seguinte, ampliando os direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos. Mais abrangente que a Política Nacional do Idoso, lei de 1994 que dava garantias à terceira idade, o estatuto institui penas severas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos da terceira idade.
Podemos citar alguns pontos importantes deste estatuto: Todo idoso tem atendimento preferencial no Sistema Único de Saúde (SUS), planos de saúde não podem reajustar as mensalidades de acordo com o critério da idade, maiores de 65 anos têm direito ao transporte coletivo público gratuito, nenhum idoso poderá ser objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, todo idoso tem direito a 50% de desconto em atividades de cultura, esporte e lazer, o primeiro critério de desempate em concurso público é o da idade, com preferência para os concorrentes com idade mais avançada, é obrigatória a reserva de 3% das unidades residenciais para os idosos nos programas habitacionais públicos ou subsidiados por recursos públicos.
Este estatuto é uma conquista muito importante para a sociedade em geral, pois, gostando ou não, todos nós seremos idosos (pelo menos, pretendemos). Mas, estatutos são teorias, com força de lei, mas apenas teorias. Assim, como está a prática desta teoria tão importante e fundamental? Será que os idosos estão realmente usufruindo de sua conquista legal? Não! Os exemplos estão ao nosso redor, a todo instante. Pode até ter melhorado muito, mas ainda estamos longe do ideal do respeitoso.
Muito mais importante que ser respeitado por direito, é ser respeitado por reconhecimento. Leis são impostas, respeito é cultural. Não somos uma sociedade que valoriza e respeita seus idosos. As pessoas idosas têm habilidades regenerativas limitadas, mudanças físicas e emocionais que expõe a perigo a própria qualidade de vida. E se não bastasse os efeitos do tempo, estão sujeitos ao efeito discriminatório dos olhares preconceituosos da sociedade.
Etaísmo? Alguém sabe o que significa esta palavra? A maioria das pessoas com certeza não sabem, assim como não conhecem o estatuto que os protegerão daqui uns anos. Etaísmo é um tipo de discriminação contra pessoas ou grupos baseado na idade. Quando este preconceito é a motivação principal por trás dos atos de discriminação contra aquela pessoa ou grupo, então estes atos se constituem em discriminação por idade. Embora etaísmo possa se referir ao preconceito contra qualquer grupo etário, a discriminação por idade está geralmente associada à faixa etária dos idosos.
Adultos e pais de família, buscam conquistar o respeito de seus jovens filhos. Mas este mesmo respeito é repassado aos seus velhos pais? Será que as crianças de hoje têm um exemplo prático de respeito aos idosos dentro de casa? Não são apenas belas palavras escritas em diários oficiais que vão mudar a cultura e a tradição de um povo. A educação familiar, escolar, religiosa e social são as ferramentas principais e responsáveis por transformar conceitos e preconceitos de uma sociedade.
Se um povo respeita seu passado e seu futuro, não precisaria de leis obrigando algo que fosse de consciência coletiva. Que sociedade é capaz de desrespeitar as pessoas responsáveis pelas conquistas que usufruímos hoje? Quem é capaz de ignorar um homem ou uma mulher que trabalhou toda sua vida para ajudar a erguer o mundo que vivemos atualmente? Quem abandonaria pessoas ricas em sabedoria, conhecimento e amor? Somos nós, integrantes da “sociedade produtiva”, que infelizmente, coloca de lado seus heróis do passado e imagem do futuro.
Os idosos não precisam mais de força física, eles conquistaram a sabedoria. Eles não necessitam correr ou ter pressa, pois a paciência os ensinou a cortar caminhos e que tudo tem seu momento. O tempo transformou a pedra bruta em pedra polida. Apenas uma sociedade de “jovens discípulos” pode acreditar que têm mais a oferecer e ensinar do que seus próprios mestres. Nossos mestres nasceram em uma época totalmente diferente da atual, um mundo novo, moderno, digital e dinâmico. A capacidade de adaptação deles foi testada ao extremo. Será que nós, discípulos com uma vida inteira pela frente, conseguiremos nos adaptar ao novo mundo de amanhã?
Devemos olhar nossos mestres idosos e nos colocar em seus lugares, um treinamento de empatia, para conseguir entender as dificuldades de viver em um mundo preconceituoso e materialista. A realidade é que precisamos muito mais de nossos idosos, do que eles de nós. É obrigação moral e ética respeitar e ajudar as pessoas que construíram os degraus que fizeram a humanidade de hoje elevar-se mais um passo.
Escrevi este artigo após uma sugestão de um professor cheio de experiência e conteúdo. Ao professor Edis, obrigado por esta e outras ideias que me ajudam a refletir e elaborar meus artigos. Professores como este, são responsáveis por ampliar os horizontes de muitos alunos. Parabéns a todos que chegaram à melhor idade. A etapa da sabedoria e da indulgência.
* Matheus de Ávila Cosso é Farmacêutico-Bioquímico, Consultor e Escritor
Assunto(s): Artigo
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